Mesmo antes dos ataques que aterrorizaram Paris durante três dias e deixaram um saldo de 17 mortos, além dos três militantes mortos pela polícia, Dieudonné era um provocador. Já havia sido acusado de antissemitismo e agora é acusado pela Promotoria de Paris por "apologia ao terrorismo".
O comentário de Dieudonné (posteriormente apagado) sugeriu que o humorista simpatizava com Amedy Coulibaly, acusado de ter matado uma policial um dia depois do massacre na revista Charlie Hebdo e de ter matado quatro pessoas durante um sequestro em um mercado judaico, no dia seguinte.
O governo francês afirmou que esse tipo de comentário incita o ódio e será combatido "com toda a força possível".
O humorista ganhou fama internacional em 2013, quando sua saudação nazista invertida (chamada "quenelle", que consiste em um braço estendido para baixo e a mão oposta repousada sobre ele) foi usada pelo jogador de futebol Nicolas Anelka para celebrar um gol.
No início de 2014, quase não houve um dia na França sem que o nome de Dieudonné aparecesse nos noticiários.
Acusações de antissemitismo
O famoso humorista havia provocado polêmica com sua apresentação O Muro, que autoridades proibiram em várias cidades do país por conter expressões que consideraram racistas e antissemitas.
A decisão, segundo especialistas, parecia ser a conclusão de uma série de ataques e contra-ataques judiciais.
Em vídeos, o humorista aparecia falando sobre o locutor do programa matutino da rádio pública France Inter, Patrick Cohen, cujo sobrenome tem raízes judaicas.
"Você vê, se o vento muda de lado, eu não tenho certeza se ele teria tempo de fazer sua mala", diz Dieudonné, para acrescentar diante de uma plateia lotada em um teatro de Paris, "quando o escuto falar, Patrick Cohen, você vê...câmaras de gás...que pena!".
Era uma referência às câmaras de gás usadas pelos nazistas para exterminar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
A frase provocou ira e indignação, e a direção da rádio processou o humorista.
O país "não pode tolerar o ódio contra os demais, o racismo, o antissemitismo, o negacionismo", disse Manuel Valls, na época ministro do Interior e hoje primeiro-ministro francês.
O Conselho de Estado, jurisdição administrativa mais importante da França, proibiu a apresentação em cidades como Nantes, Orléans e Tours, por "riscos de desordem pública".
Quem é Dieudonné?
Dieudonné, 48, é francês de pai camaronês e trabalha como humorista há mais de 20 anos.
Nem sempre foi visto como antissemita, pelo contrário: começou sua carreira em um dueto com o humorista Élie Semoun, e durante anos eles eram conhecidos por seu humor pungente e com estereótipos raciais.
Depois de se separar do companheiro, Dieudonné trilhou um caminho diferente. E, além de seguir com a carreira artística, entrou para a política, candidatando-se em eleições legislativas contra a extrema-direita da Frente Nacional.
Em 2005, Dieudonné foi condenado por classificar o Holocausto de "memória pornográfica". No total, a Justiça francesa o condenou sete vezes, entre outras coisas por "incitar o ódio".
Mas ele tem também muitos simpatizantes, que defendem que seus espetáculos são apenas obras de humor e que devem ser protegidos pela liberdade de expressão.
Apesar das críticas - ou, talvez, por causa delas -, alguns de seus vídeos têm mais de 2 milhões de visualizações na internet. E o público lota seus shows.
Na cidade de Nantes, 6 mil pessoas haviam comprado ingresso para assisti-lo e, quando souberam que o espetáculo havia sido cancelado pelas autoridades, alguns manifestaram seu apoio com o polêmico gesto da saudação nazista invertida.
Apesar de seu significado real ser pouco conhecido, alguns o associam a uma saudação antissemita.
Dieudonné acabou desistindo do espetáculo O Muro, ante a onda de indignação gerada, e isso reduziu a pressão de autoridades e tribunais.
O ministro Valls, ainda assim, disse que Dieudonné "não é um comediante", mas sim um "antissemita e racista".
E, enquanto se investiga sua suposta "apologia ao terrorismo", disse que que seguirá tentando proibir suas apresentações por serem "um risco à segurança pública".
Pimenta nos olhos dos outros é refresco!
Fonte
BBC
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
domingo, 22 de junho de 2014
Nazista invade campo, na Copa do Mundo no Brasil
racism in Brazil Cup 2014
Apesar da forte campanha da Fifa para eliminar o racismo da Copa do Mundo, a entidade teve que esconder da transmissão a invasão de um torcedor nazista durante o jogo entre Gana e Alemanha.
O torcedor conseguiu entrar em campo e levantar a camisa para revelar uma mensagem pró-nazismo e teve que ser colocado para fora de campo pelo meia ganês Sulley Muntari .
O torcedor havia escrito HH SS CC, siglas usadas por neonazistas. O HH significa Heil Hitler, SS é a sigla da da Schutzstaffel, o braço armado do governo nazista. Já o CC é SS em caracteres cirílicos e é usado por neonazistas russos.
Até aqui foram registrados poucos casos de racismo na Copa do Mundo do Brasil. No entanto, foram observadas faixas de cunho racista nas torcidas de Croácia e Rússia e dois torcedores argentinos foram detidos por imitar macacos no Maracanã.
Na internet, espanhóis inundaram o Twitter de mensagens racistas contra brasileiros depois da humilhante derrota de sua seleção para a Holanda.
Essa tal "campanha da FIFA"não passa de uma piada,racismo no velho continente tem aos montes,nos jogos de futebol,e por aqui também,mesmo sendo um pouco menos escancarado.
Fonte
Yahoo
domingo, 27 de abril de 2014
Botafogo contra o racismo
Não percebeu a camisa invertida? É porque a cor não faz a menor diferença!
Fonte
Botafogo FR Oficial
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Humilhado por racistas,o jogador Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer
A postura do presidente da Fifa incentivava o preconceito. O Leste Europeu se tornou especialista em atos racistas. Vários foram os casos nos últimos anos. Com torcedores imitando macacos, jogando banana para atletas negros. Faixas com frases que envergonham a humanidade. Muitos jogadores negros já passaram pelas humilhantes situações. Paulinho, ex-Corinthians, chorou ao se lembrar do que passou na Lituânia.
"Vou levar as lembranças ruins para o resto da minha vida. Sofri muito com preconceito e com racismo na Lituânia. Logo na minha primeira partida começaram a imitar macaco, jogar moedas e algumas outras coisas. Quando ia passar com a minha esposa nas ruas, algumas pessoas ficavam esbarrando para que a gente revidasse de alguma forma, querendo arrumar algum tipo de briga ou discussão. Esses episódios me deixaram mal e me fizeram pensar na possibilidade de desistir do futebol. O racismo me derrubou, me arrebentou."
Paulinho ficou traumatizado. Tinha apenas 17 anos. Relembrou o que sofreu ao Lance! E por causa dessa angústia, não estava com pressa para voltar à Europa. Até que representantes do Tottenham o convenceram. Não passaria o mesmo na Inglaterra. Foi, mas avisou que romperia o contrato se sofresse racismo outra vez.
Na Rússia, Roberto Carlos ficou transtornado. O ex-lateral da Seleção passou muita vergonha. As torcidas do Krylya Sovetov e do Zenit mostraram seu lado racista. Imitavam macaco cada vez que ele pegava na bola. E chegaram até a jogar bananas em sua direção. Infelizmente, a Rússia vem se especializando na intolerância. O caso mais recente, no entanto, foi com o jogador errado. Na partida entre CSKA e Manchester City, o alvo dos torcedores foi logo escolhido. Yaya Touré, jogador negro que nasceu na Costa do Marfim. Era só a bola cair no seu pé e lá vinha a imitação de macacos na arquibancada. A partida era válida pela Champions League. O marfinense ficou revoltado. Mas não seguiu o caminho fácil de apenas reclamar na imprensa. Parou o jogo, mostrou ao árbitro e pediu que a partida fosse encerrada.
Não foi. Touré tomou uma decisão que fez Blatter acordar de vez para a questão. Foi claro. "Esse tipo de situação tem de acabar até o Mundial de 2018. Se não acabar, vou ajudar a organizar um boicote dos negros. Não teremos tranquilidade para jogar. Não iremos para a Rússia.
Nem nós e nem os torcedores dos países que jogamos." Declarou sem medo. Bastou para Blatter. Misturar em uma só frase boicote e Mundial é seu pesadelo. Ainda mais saída da boca de um ídolo do futebol inglês. Seria inimaginável uma Copa sem negros. Impossível. Sem Balotelli, Touré, sem Neymar... Sem as Seleções Africanas. A proposta do marfinense é forte e factível. Os exemplos de casos de racismo na Europa são vergonhosos. Blatter sentiu o baque. E também a pressão da UEFA de Platini.
Percebeu o quanto a postura da Fifa é branda, quase conivente. Não adianta apenas multar e obrigar os clubes a jogar com portões fechados. Aqueles que possuem racistas entre seus torcedores precisam pagar caro. Depois da ameaça de Touré, Blatter encomendou mudança nas regras. Ele vai atender à reivindicação do jogador do Manchester City. E na, próxima temporada, os imitadores de macacos e lançadores de banana que se preparem. A ideia da Fifa é pressionar que eles sejam proibidos de assistir aos jogos. Pressionar que as polícias os identifiquem e indiciem. E os proíbam de ir para os estádios nos dias em que seus times estiverem jogando. Aos clubes, as punições serão muito mais severas.
Em vez de multas, perda de pontos. E, em caso de reincidência, até mesmo eliminação de campeonatos. Touré fez Blatter parar de fingir que não enxerga. Nunca mais foi pelo caminho da hipocrisia. A de aceitar que os jogadores se ofendam do que for. E depois tudo seja esquecido com mero aperto de mão. Chamar o adversário de 'macaco' não será mais 'coisa de jogo'. Como defendem vários treinadores. Inclusive Felipão, quando estava no Palmeiras.
Quando Danilo xingou Manoel de macaco. E ainda lhe deu uma cusparada no rosto. O STJD aplicou a suspensão de 11 jogos. O que seria um exemplo acabou em vexame. O tribunal acabou liberando o zagueiro de quase metade da punição. Ele só teve de cumprir seis jogos. Decisão vergonhosa. E que só premiou o ato racista, preconceituoso de Danilo. A Fifa pretende evitar essa situação. E deverá também exigir punições graves aos jogadores. Não tolerará palavrões e gestos preconceituosos. Como o que fez Antônio Carlos com Jeovânio. O zagueiro atuava no Juventude e o volante no Grêmio. Depois de discutirem, o ex-jogador da Seleção se irritou. E passando a mão no próprio braço. Quis mostrar a 'razão' do problema.
O seu rival ser negro. A imagem é chocante e marcou o final da carreira de Antônio Carlos. Impediu, por exemplo, que fosse trabalhar como treinador no Vasco. As torcidas fizeram uma enorme campanha contra ele. O Vasco foi o primeiro clube do Brasil a admitir negros jogando no seu time. E Roberto Dinamite teve de voltar atrás e não contratá-lo. Inesquecível a postura de Grafite em relação a Desábato. O atacante do São Paulo revelou que o zagueiro do Quilmes o chamou de macaco. Velho costume de atletas do futebol argentino quando enfrentam brasileiros. Desábato acabou sendo preso em pleno Morumbi. Mas Grafite resolveu retirar a acusação. E nada aconteceu contra o adversário. O brasileiro foi muito criticado por recuar. Principalmente por várias entidades que lutam pelo direito dos negros.
Assim como também fez a CBF. No Sul-Americano Sub-20 em 2011, no Peru. Jogavam Brasil e Bolívia. E a torcida peruana começou a imitar macacos. Bastava Diego Maurício pegar na bola. O jovem jogador ficou abalado. Mas a CBF resolveu ignorar as ofensas. Para não criar problemas com a organização do torneio. Infelizmente há centenas de outros casos pelo mundo. Tudo ainda estava muito solto em relação ao racismo. Foi preciso Touré ameaçar levar à frente um boicote. E a Fifa despertou para a seriedade da questão. Não há Copa sem negros. Sem brancos, sem amarelos, sem mestiços.
Mas há futebol com racismo. E isso só irá acabar com leis rígidas. Contra os torcedores e os clubes destes racistas. O Leste Europeu e o resto do mundo estão alertados. Pelo menos no futebol o preconceito custará caro. Fora dele, ainda vai imperar a hipocrisia...
Fonte
R7
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